Unicamp Implementa Cotas de Gênero e Reserva Vagas para Pessoas Trans, Travestis ou não Binárias em Cursos de Graduação
- Redação
- 2 de abr. de 2025
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A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aprovou, na última terça-feira, a reserva de vagas para pessoas que se identificam como trans, travestis ou não binárias nos cursos de graduação. A decisão foi tomada pelo Conselho Universitário (Consu) e estabelece cotas específicas dentro do edital Enem-Unicamp, abrangendo candidatos de escolas públicas e privadas.
Com essa medida, a Unicamp se torna a primeira universidade estadual de São Paulo a adotar esse tipo de política e a 21ª instituição pública de ensino superior no Brasil a implementar reserva de vagas com base em identidade de gênero. De acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), ao menos 15 universidades federais e 6 estaduais já adotaram iniciativas semelhantes.
A proposta aprovada teve origem na articulação de grupos ativistas, incluindo o Ateliê TransMoras e o Núcleo de Consciência Trans (NCT), contando com o apoio da Reitoria e sendo fruto de um acordo firmado após a greve discente de 2023. O grupo de trabalho que estruturou a medida contou com a participação de 15 pessoas, das quais oito se identificaram como trans.
Segundo a Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest), no Vestibular 2025 da Unicamp, 279 candidatos utilizaram nome social, sendo que apenas 40 foram convocados. Entre os cursos mais procurados por esse grupo, destacam-se Artes Visuais, Ciências Biológicas e Medicina.

A adoção dessa política levanta debates sobre a priorização de critérios identitários na seleção acadêmica em detrimento do mérito. Enquanto defensores da medida alegam que ela busca corrigir desigualdades e promover inclusão, críticos apontam para a fragilidade dos critérios utilizados e para o risco de comprometimento da qualidade acadêmica ao se basear em identidades subjetivas como critério de ingresso. O impacto dessa decisão sobre o ensino superior e o princípio da igualdade de oportunidades ainda será um tema de intensas discussões na sociedade.






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