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Brasil registra pior criação de empregos desde 2020

  • Editor
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

O Brasil encerrou 2025 com o pior desempenho na criação de empregos formais desde 2020, ano marcado pelo auge da pandemia de Covid-19. Segundo dados oficiais do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o saldo positivo foi de 1,27 milhão de vagas com carteira assinada — número significativamente inferior ao registrado nos anos anteriores.


O resultado confirma uma tendência de desaceleração do mercado de trabalho ao longo do ano e contrasta com o discurso otimista adotado pelo governo federal. Em 2023, o crescimento do emprego formal foi de 3,3%, enquanto em 2024 chegou a 3,69%. Em 2025, esse ritmo caiu para 2,71%, evidenciando a perda de dinamismo da economia.


O desempenho fraco ocorre em um cenário marcado por juros elevados, com a taxa Selic mantida em patamar alto, o que encarece o crédito, desestimula investimentos produtivos e reduz a capacidade das empresas de expandir contratações. Na prática, o ambiente econômico se tornou menos favorável para quem produz e gera empregos.


Ao comentar os números, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, atribuiu o resultado a fatores externos, como o impacto de medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos, além da política monetária restritiva. A justificativa, no entanto, não convence analistas críticos da atual condução econômica, que apontam falhas estruturais e falta de confiança no ambiente de negócios como elementos centrais para o desempenho abaixo do esperado.


O mês de dezembro escancarou ainda mais essa perda de fôlego. O país registrou o fechamento de 618 mil postos de trabalho, o pior resultado já observado para o período, reforçando a dificuldade da economia brasileira em sustentar crescimento consistente do emprego formal.


Embora todos os grandes setores tenham fechado o ano no azul — com destaque para o setor de serviços —, o avanço foi considerado insuficiente diante das necessidades do país e do tamanho da população economicamente ativa. O resultado final acende um sinal de alerta sobre a capacidade do Brasil de retomar um ciclo sólido de crescimento, geração de renda e oportunidades.


Mais do que um dado estatístico, o pior saldo de empregos desde 2020 revela os limites de uma política econômica que ainda não conseguiu entregar previsibilidade, confiança e ambiente favorável ao investimento. Para milhões de brasileiros, o impacto é direto: menos vagas, mais insegurança e um mercado de trabalho cada vez mais pressionado.

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