Moraes atropela imunidade parlamentar e vota para tornar Gilvan da Federal réu por críticas ao Comando do Exército
- 17 de mar.
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Ao criminalizar opiniões sobre a cúpula militar, STF aprofunda crise de prerrogativas e valida submissão do Exército a ritos estranhos à hierarquia da caserna.

O cenário de tensão entre os Poderes e as Forças Armadas ganhou um novo capítulo jurídico com o voto do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para tornar réu o deputado federal Gilvan da Federal (PL-ES). A decisão, embora fundamentada em supostos crimes de injúria e difamação, ignora o núcleo da imunidade parlamentar e joga luz sobre a erosão da autonomia do Comando do Exército.
Gilvan também fez críticas a polícia federal. Pertencente a instituição há mais de 20 anos, afirmou que discorda veementemente de tudo que vem sendo feito nos últimos anos, claramente se referindo a instrumentalização da PF para perseguir adversários políticos da esquerda. Durante sua fala, chamou o atual diretor geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de petista.
O estopim das declarações de Gilvan, que levaram à denúncia da PGR, reside no que juristas conservadores classificam como uma "humilhação institucional" das Forças Armadas. O deputado questionou duramente a passividade do comandante do Exército, general Tomás Paiva, diante de operações da Polícia Federal que visaram oficiais generais, como Augusto Heleno.
Sob a ótica do oficialato e de especialistas em Direito Militar, houve um atropelo de protocolos:
Condução por Civis: Operações de busca ou detenção contra generais deveriam, por praxe e respeito à hierarquia, ser acompanhadas ou executadas pela Polícia do Exército (PE).
A Crítica de Gilvan: Ao permitir que a PF exerça autoridade direta sobre o alto comando sem a intermediação da PE, o deputado sustenta que o Exército abdicou de sua soberania institucional em favor de uma submissão inédita ao Judiciário.
O Conflito com o Artigo 53
Ao votar pelo recebimento da denúncia, Moraes estabelece uma interpretação restritiva do Artigo 53 da Constituição Federal. Para o ministro, as críticas contundentes de Gilvan — que utilizou termos como "frouxo" e "omisso" — extrapolam o exercício do mandato por atingirem a honra pessoal do comandante.
Por outro lado, a defesa e aliados do parlamentar argumentam que a fala é estritamente política. Como representante eleito, o deputado possui o dever de fiscalizar autoridades públicas e expressar o descontentamento de sua base eleitoral quanto à postura das Forças Armadas frente ao atual governo e às decisões do STF.
A aceitação da denúncia deixa duas coisas muito claras para a ala conservadora:
Poder Moderador Judicial: O STF reafirma sua autoridade para arbitrar o que pode ou não ser dito por um congressista, mesmo sob o manto da inviolabilidade.
Crise de Liderança: O silêncio do Comando do Exército diante da criminalização de críticas internas reforça a tese de Gilvan sobre uma "quebra de espinha dorsal" da instituição, que hoje parece mais alinhada às diretrizes de Moraes do que à preservação de seus próprios ritos e membros.
O julgamento agora segue para o plenário físico após pedido de destaque, onde a discussão sobre os limites da crítica parlamentar e a autonomia militar será levada ao escrutínio dos demais ministros






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