Ministro Zanin manda soltar lobista acusado de comprar sentenças no STJ
- Redação
- 18 de jul. de 2025
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Mesmo diante de indícios graves de corrupção no Judiciário, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu conceder liberdade provisória ao lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, preso desde novembro de 2023 sob a acusação de participação em um esquema de venda de sentenças envolvendo gabinetes do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A decisão gerou questionamentos por parte de juristas e da opinião pública, já que Andreson é apontado como uma das peças-chave de um dos maiores escândalos recentes de favorecimento dentro da Justiça brasileira. A justificativa acolhida por Zanin foi o suposto agravamento do estado de saúde do lobista, argumento apresentado por sua defesa. A Procuradoria-Geral da República (PGR), comandada por Paulo Gonet, também deu parecer favorável à soltura.
A operação, batizada de Sisamnes pela Polícia Federal, teve início após o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) identificar movimentações suspeitas no Judiciário, especialmente no estado do Mato Grosso. Andreson mantinha relação próxima com Carlos Zampieri, personagem central na apuração sobre a compra de decisões judiciais.
De acordo com as investigações, o lobista teria tido acesso antecipado a minutas de decisões de ministros do STJ, as quais compartilhava antes mesmo da publicação oficial. Além disso, as mensagens interceptadas pela PF indicam pagamentos a assessores do tribunal, supostamente em troca de sentenças favoráveis.
Um dos pontos mais alarmantes do inquérito é a transferência de R$ 4 milhões da empresa de Andreson para um servidor do STJ que atuou diretamente nos gabinetes de duas ministras. Mesmo com esses indícios robustos de corrupção, a decisão de Zanin colocou o investigado em liberdade, reacendendo o debate sobre seletividade e impunidade quando se trata de figuras com conexões no alto escalão do Judiciário.
A postura branda do STF nesse caso contrasta com a rigidez adotada contra outros alvos políticos, especialmente figuras ligadas à direita, o que levanta suspeitas de parcialidade e de blindagem institucional dentro das mais altas cortes do país.






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