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Ministro da Previdência teve encontro com Careca do INSS, no início do governo Lula

  • Redação
  • 3 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura


No início do governo Lula, em janeiro de 2023, o atual ministro da Previdência, Wolney Queiroz (PDT), então deputado federal indicado para assumir a Secretaria-Executiva da pasta, participou de uma reunião no Ministério da Previdência ao lado de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS — lobista investigado pela Polícia Federal por atuar em um esquema de fraudes que causou prejuízos bilionários aos aposentados.


O encontro também contou com a presença de três ex-dirigentes do INSS que estão sob suspeita de receber propinas para facilitar descontos indevidos em benefícios de aposentados, revelando um ambiente de conluio dentro do próprio órgão. O fato de Wolney ter participado dessa reunião, sem qualquer registro oficial e com pessoas já investigadas, levanta sérias dúvidas sobre a lisura do processo de transição e a postura do atual ministro.


Na época, Wolney ainda não havia assumido o cargo de secretário-executivo, mas já ocupava posição estratégica no ministério sob comando de Carlos Lupi, que renunciou em meio à Operação Sem Desconto, da PF, que desbaratou um esquema criminoso que movimentou mais de R$ 6 bilhões desde 2019.


O encontro sigiloso em 12 de janeiro contou com figuras-chave do INSS que receberam valores milionários em propinas, segundo a investigação. Virgílio Oliveira Filho, procurador-geral do órgão afastado por decisão judicial, recebeu R$ 11,9 milhões, sendo R$ 7,5 milhões diretamente do lobista Careca do INSS. André Fidelis, diretor de Benefícios, teve repasses de R$ 5,1 milhões, e Alexandre Guimarães, diretor de Governança, embolsou R$ 313 mil. O próprio lobista chegou a transferir um Porsche de meio milhão de reais para a esposa do procurador afastado.


A foto oficial do encontro ainda mostra outros nomes indicados para cargos estratégicos dentro do governo, demonstrando como o esquema de interesses pessoais e corporativismo parecia infiltrar-se nas estruturas do Executivo logo no início da nova gestão.

Em meio à revelação dos fatos, o ministro Wolney Queiroz tentou minimizar seu envolvimento, alegando que “pode ter se encontrado” com esses personagens, mas que não se lembra de ter tido qualquer relação com eles. Tal defesa soa frágil diante das evidências e da proximidade registrada no encontro dentro do ministério.


Além disso, Wolney afirmou que a reunião foi organizada pelo então procurador Virgílio Oliveira Filho, sem sua anuência sobre os participantes, tentando se eximir de responsabilidades. Porém, essa versão não convence, já que cabe ao futuro secretário-executivo fiscalizar e questionar encontros dentro do órgão que vai assumir, especialmente quando envolvem figuras sob suspeita.


O episódio reforça a percepção de que o governo Lula segue cercado por práticas obscuras e leniência diante de esquemas de corrupção que tanto prejudicam o trabalhador brasileiro. Enquanto isso, milhões de aposentados são lesados por fraudes e descontos indevidos, que contam com o silêncio e a conivência de seus próprios gestores.

 
 
 

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