top of page

Líder do Irã solicita apoio da Rússia após ofensiva militar dos EUA

  • Redação
  • 23 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

O Aiatolá Ali Khamenei, líder máximo do Irã, enviou o ministro das Relações Exteriores do país a Moscou nesta segunda-feira (23), buscando intensificar a cooperação com a Rússia após a maior operação militar dos Estados Unidos contra a República Islâmica desde a revolução de 1979.


O governo iraniano reagiu às declarações feitas pelo presidente norte-americano Donald Trump e por representantes de Israel, que mencionaram publicamente a possibilidade de eliminar Khamenei e promover uma mudança no regime iraniano — uma preocupação que gera apreensão em Moscou, devido ao risco de desestabilização na região do Oriente Médio. Segundo uma fonte próxima, Abbas Araqchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, deveria entregar uma carta pessoal de Khamenei ao presidente Vladimir Putin, solicitando maior apoio.


Até agora, o Irã não considera satisfatório o nível de suporte russo recebido e deseja que Putin adote medidas mais firmes para conter as ações de Israel e dos Estados Unidos, informaram representantes iranianos. Contudo, ainda não foram divulgados detalhes sobre o tipo de auxílio que Teerã espera.


O Kremlin confirmou que Putin receberia o ministro iraniano, mas não forneceu informações sobre os temas específicos da reunião. Araqchi, em declarações à agência estatal TASS, ressaltou que ambos os países estão alinhando suas posições diante da atual tensão na região.

A Rússia, tradicional aliada do Irã, desempenha papel chave nas negociações nucleares envolvendo Teerã e as potências ocidentais, atuando como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e tendo sido parte do acordo nuclear que os EUA abandonaram em 2018 sob a administração Trump.


Apesar disso, Putin, cujo país está envolvido em um prolongado conflito na Ucrânia, tem mostrado cautela para não intensificar um confronto direto com Washington por conta do Irã, especialmente enquanto o governo republicano tenta restabelecer vínculos com Moscou. O presidente russo já ofereceu sua mediação para facilitar um diálogo entre EUA e Irã, ao mesmo tempo garantindo a continuidade do programa nuclear civil iraniano.

Putin também afirmou que Israel assegurou a proteção dos técnicos russos envolvidos na construção de dois novos reatores na usina nuclear de Bushehr durante ataques aéreos recentes.


Embora Moscou tenha comprado armamentos do Irã para a guerra na Ucrânia e assinado um acordo estratégico de cooperação de duas décadas com Teerã no início deste ano, a relação entre os países, que dura séculos, enfrenta momentos de tensão.

Importante destacar que o acordo firmado não inclui cláusulas de defesa mútua. Na Rússia, há setores que defendem um suporte mais robusto ao Irã, semelhante ao que Washington oferece à Ucrânia, com fornecimento de sistemas antiaéreos, mísseis e inteligência via satélite.


No âmbito do Conselho de Segurança da ONU, Rússia, China e Paquistão apresentaram no domingo (22) uma proposta de resolução exigindo cessar-fogo imediato e incondicional no Oriente Médio, após os recentes ataques americanos.


O embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, recordou que, em 2003, o então secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, usou o Conselho para justificar uma intervenção contra o Iraque, alegando a ameaça das armas químicas e biológicas. "Mais uma vez somos chamados a acreditar nas narrativas americanas e a causar sofrimento a milhões no Oriente Médio. Isso só reforça a impressão de que a história não serviu de lição para nossos colegas americanos", declarou Nebenzia.

 
 
 

Comentários


bottom of page