Lula diz que aceita telefonar para Trump com uma condição, dizem aliados
- Redação
- 29 de jul. de 2025
- 2 min de leitura

O Palácio do Planalto ainda não conseguiu estabelecer diálogo direto com o presidente americano Donald Trump, mesmo diante da iminente aplicação de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. A medida entra em vigor nesta sexta-feira (1º), e o Planalto segue em compasso de espera. Segundo apuração do g1, Lula só aceita telefonar para Trump caso tenha garantia prévia de que será atendido diretamente por ele
A condução da crise tem gerado críticas. Enquanto o Brasil amarga prejuízos iminentes no comércio exterior, o governo petista parece mais preocupado com protocolos do que com resultados concretos. Fontes do Planalto admitem que houve tentativas frustradas de contato por vias diplomáticas tradicionais, mas a equipe de Trump continua inacessível, e até agora não houve sinal de disposição por parte dos EUA para recuar.
A iniciativa de buscar esse contato teria partido de senadores brasileiros, numa tentativa de remediar o isolamento diplomático em que o Brasil se encontra. A recente revogação de vistos de ministros do STF por parte do governo americano acentuou ainda mais o distanciamento entre os dois países, e a retaliação tarifária é vista como um recado direto à atual administração brasileira.
Tarifas já têm data certa: prejuízo à vista
Trump formalizou o comunicado ao governo brasileiro no dia 9 de julho e reiterou a decisão no último dia 23, alegando razões comerciais e políticas. No último domingo (27), o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, confirmou que as tarifas entrarão em vigor conforme o previsto, sem possibilidade de adiamento.
Mesmo diante do agravamento da situação, o Itamaraty segue patinando. O chanceler Mauro Vieira, que está em Nova York em compromissos com a ONU, poderá ir a Washington caso haja alguma abertura para conversas — o que, até o momento, não aconteceu.
Segundo estimativas da Amcham Brasil, cerca de 10 mil empresas brasileiras podem ser atingidas pelas tarifas, afetando mais de 3 milhões de empregos. Apesar disso, o governo Lula segue demonstrando hesitação, atrasando reações e articulações mais firmes.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) admitiu que multinacionais com presença no Brasil, como General Motors, Johnson & Johnson e Caterpillar, também serão atingidas. “As perdas serão bilaterais”, disse ele, apelando por união de esforços. Mas, para muitos analistas, o estrago já está feito — e é fruto de uma diplomacia ideologizada, que mais afasta do que aproxima parceiros estratégicos como os Estados Unidos.






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