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Lula amplia poder de Alcolumbre no governo para conter oposição no Congresso

  • Redação
  • 12 de mai. de 2025
  • 3 min de leitura

Em meio a uma crescente pressão da oposição no Congresso Nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem reforçado sua aliança com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A parceria, que vem se consolidando desde o início do mandato, ganhou novos contornos diante de ameaças como a instalação de uma CPI para investigar fraudes no INSS e a tramitação de projetos que podem beneficiar envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.


Durante a transição de governo, no final de 2022, Alcolumbre já havia antecipado que sua influência seria decisiva. Disse, à época, que Lula dependeria mais dele do que o contrário. Hoje, com o aumento de seu poder político, essa previsão se concretizou. O senador passou a ocupar um papel central na articulação política do Planalto, indicando aliados para cargos estratégicos e participando de decisões sensíveis da administração federal.


Blindagem contra a oposição

Recentemente, Alcolumbre atuou diretamente para desarticular a tentativa do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, de instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre fraudes no INSS. Mesmo com as assinaturas necessárias, a oposição recuou após sinais de que teria dificuldades para avançar. O senador também intermediou negociações sobre o projeto de anistia aos participantes dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Com apoio de ministros do STF, costurou uma proposta que deve se limitar à redução de penas para os executores, excluindo mentores e financiadores.


Poder de indicação e barganhas

A influência de Alcolumbre se traduz em cargos e indicações. Após a saída do ministro Juscelino Filho, ele ganhou carta branca de Lula para indicar o substituto nas Comunicações. Mesmo após a recusa de seu primeiro indicado, o deputado Pedro Lucas Fernandes (União-MA), o senador manteve a prerrogativa e emplacou Frederico de Siqueira, ex-presidente da Telebras.

Alcolumbre também tem conseguido nomear aliados para estatais como Correios, Banco do Brasil, Sudam, Sebrae e Ebserh. Além disso, impediu a nomeação de Ricardo Saadi para o comando do Coaf, por discordar da presença da Polícia Federal na chefia do órgão que fiscaliza transações financeiras suspeitas.

Outro embate que evidencia seu poder é a resistência à permanência do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. O senador tem travado sabatinas de indicados para agências reguladoras como forma de pressionar o Planalto a rever nomeações feitas por Silveira, de quem é desafeto.


Interlocução estratégica e estilo descontraído

Aliados do governo afirmam que Lula tem valorizado a capacidade de articulação de Alcolumbre, que se tornou figura frequente nas viagens internacionais do presidente. Em uma dessas agendas, no Japão, protagonizaram um episódio simbólico: incomodado com a ausência de música no avião presidencial, Lula foi surpreendido com uma caixinha de som levada por Alcolumbre, que colocou uma seleção de músicas populares para animar o ambiente.

O estilo bem-humorado e informal do senador tem ajudado a criar uma proximidade com o presidente, ao contrário do comportamento mais formal de seu antecessor no cargo, Rodrigo Pacheco.


Construção de poder

Alcolumbre chegou ao Senado em 2014, após derrotar um aliado de José Sarney no Amapá, e tem se consolidado como um dos principais articuladores políticos da atual legislatura. Sua capacidade de transitar entre diferentes alas do Congresso foi fundamental para sua eleição à presidência da Casa, tanto em 2019 quanto neste ano.

Como exemplo dessa habilidade, destaca-se sua reaproximação com o senador Renan Calheiros (MDB-AL), adversário na disputa de 2019. Anos depois, Alcolumbre atuou para liberar recursos para Alagoas, governada pelo grupo de Calheiros, conquistando o apoio do ex-rival.


Tensão com a oposição

Apesar de sua influência, a postura de Alcolumbre tem incomodado parlamentares da oposição, especialmente no que diz respeito à condução do projeto de anistia aos envolvidos nos ataques ao STF. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), cobrou que o senador saiba distinguir sua função institucional da proximidade com o Planalto.


Principais áreas sob sua influência

  • Ministério das Comunicações: Indicou o atual ministro e influencia decisões estratégicas.

  • Minas e Energia: Pressiona pela saída de Alexandre Silveira.

  • Estatais e órgãos federais: Atua em nomeações na Telebras, Correios, Sudam, Sebrae e Ebserh.

  • Coaf: Vetou a indicação de Ricardo Saadi.

  • Agências Reguladoras: Tem travado sabatinas como forma de barganha com o Planalto.

 
 
 

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