Juízes querem exigir identificação de quem acessa seus salários pela internet
- Redação
- 18 de ago. de 2025
- 2 min de leitura

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) protocolou no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) uma proposta que pode limitar o acesso da população aos salários de juízes. A medida prevê que qualquer cidadão interessado em consultar os vencimentos de magistrados pela internet terá de se identificar previamente, acabando com o anonimato nas buscas.
Segundo a AMB, a intenção é “proteger a segurança de juízes e familiares”, mas o pedido já gera questionamentos por parte da sociedade civil, que teme retrocessos na transparência do serviço público. A entidade argumenta que a iniciativa apenas reproduz o modelo adotado pelo Ministério Público, com base na Resolução 281/2023 do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). A proposta conta com o apoio da Associação dos Juízes Federais (Ajufe).
A justificativa apresentada aponta que metade dos magistrados teria sofrido algum tipo de ameaça, o que impactaria sua integridade física e mental. A entidade alega que a restrição não significaria ocultação de dados, mas apenas a exigência de identificação de quem acessa os salários.
Debate sobre privilégios e gastos do Judiciário
O pedido, no entanto, acontece em meio a uma realidade que causa indignação popular: os salários da magistratura estão muito acima da média nacional e seguem em crescimento acelerado. Apenas em 2024, os vencimentos dos juízes subiram 49,3%, enquanto a inflação oficial foi de 4,83%. A remuneração média ultrapassa R$ 65 mil, somada a uma série de benefícios. Somente nos cinco primeiros meses de 2025, o CNJ desembolsou R$ 3,4 milhões em pagamentos extras e ampliou o número de juízes auxiliares.
Enquanto isso, milhões de brasileiros enfrentam salários baixos, insegurança e falta de serviços públicos básicos. Para críticos da proposta, a exigência de identificação para consultar salários de magistrados soa como mais uma tentativa de blindagem e distanciamento do Judiciário em relação à sociedade que o sustenta.
A decisão final caberá ao CNJ, mas o debate reforça um contraste: enquanto juízes alegam riscos à segurança pessoal, a população cobra mais transparência e menos privilégios em um dos poderes mais bem remunerados do país.






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