Investidores Estão “chateados” Com o Sucesso Do Governo Lula. Diz Haddad
- Nathy Souza

- 1 de abr. de 2025
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a criticar o mercado financeiro, alegando que os investidores estariam “chateados” com o sucesso do governo Lula (PT).

Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, publicada neste domingo (30), Haddad afirmou que gestores de ativos que apostaram contra a atual administração teriam perdido dinheiro e, por isso, estariam insatisfeitos.
No entanto, os números contam uma história diferente. O próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que a dívida bruta do Brasil, que já é alarmante, deve subir de 87,6% do PIB em 2023 para preocupantes 97,6% até 2029. Apesar disso, Haddad insiste que há um controle sobre as contas públicas e menciona o corte de R$ 35 bilhões do Orçamento de 2024 como prova de austeridade fiscal.
A tentativa de minimizar a preocupação com o déficit fiscal foi marcada por uma analogia inusitada. Haddad comparou sua posição à de um piloto de Fórmula 1 e rejeitou questionamentos sobre o controle das contas públicas. "Você não liga para ele e pergunta se tudo está sob controle", declarou. A metáfora, no entanto, soa desconectada da realidade, já que o crescimento da dívida pública e a falta de reformas estruturais continuam a gerar incertezas no cenário econômico.
Na entrevista, o ministro exaltou a posição do Brasil no comércio global, destacando a relação com a China, os Estados Unidos e a União Europeia. Ele celebrou o acordo entre Mercosul e UE, assinado após duas décadas de negociações, mas que ainda enfrenta resistência de países europeus como França e Polônia. Haddad também tentou reforçar o papel do Brasil como um dos maiores exportadores de alimentos, alegando que o país está se tornando um “supermercado do mundo” – uma afirmação que, na prática, ignora desafios como a burocracia, a carga tributária e os entraves logísticos que encarecem os produtos brasileiros no exterior.
Diante desse cenário, o discurso de Haddad soa como uma tentativa de distração diante de uma economia que segue ameaçada pelo crescimento descontrolado da dívida pública e pela falta de confiança do setor produtivo. A realidade econômica brasileira exige responsabilidade e medidas concretas, e não apenas retórica política.






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