Governo libera 18 milhões para financiar filme sobre Marielle
- Editor
- 21 de jan.
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Autorização da Ancine abre caminho para uso de dinheiro público, renúncia fiscal e acesso a fundo estatal em produção com forte carga ideológica, enquanto áreas essenciais seguem sem recursos

A autorização concedida pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) para a captação de até R$ 18 milhões destinados ao filme “O Caso Marielle” expõe, mais uma vez, as prioridades distorcidas do atual governo federal. A decisão beneficia um projeto de cunho político e ideológico, em um país que enfrenta dificuldades reais em áreas como saúde, segurança e infraestrutura.
Embora o governo tente sustentar o discurso de que não há repasse direto de recursos, a realidade é que a autorização permite o uso de mecanismos de incentivo fiscal. Na prática, trata-se de dinheiro público de forma indireta, por meio da renúncia de impostos que deixam de ser arrecadados e que poderiam ser aplicados em serviços básicos à população.
O projeto é da Paris Filmes, maior distribuidora independente do Brasil, e recebeu sinal verde para buscar patrocínios privados com apoio da legislação do audiovisual. Além disso, o despacho abre a possibilidade de solicitação de recursos ao Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), um fundo abastecido com dinheiro público, o que reforça o peso do Estado no financiamento da obra.
Ainda que a Ancine afirme que a liberação de recursos do fundo não seja automática, o simples enquadramento do projeto dentro dessa possibilidade já revela alinhamento político e institucional. Trata-se de mais um exemplo de como o governo escolhe fomentar narrativas específicas, frequentemente ligadas à esquerda, enquanto impõe restrições orçamentárias a setores essenciais da administração pública.
O despacho deixa claro que a produtora terá até 31 de dezembro de 2029 para captar os recursos, garantindo uma longa janela para mobilizar incentivos fiscais e eventuais verbas públicas. A autorização foi assinada pelo diretor-presidente da Ancine, Alex Braga, e entrou em vigor com a publicação oficial do ato.
Para críticos do governo, o episódio reforça a percepção de que a máquina pública continua sendo usada para sustentar projetos ideológicos travestidos de produções culturais, enquanto milhões de brasileiros enfrentam a precariedade dos serviços públicos e a falta de investimento em áreas que realmente importam.






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