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Bolsonaro é intimado por oficial de justiça na UTI

  • Redação
  • 23 de abr. de 2025
  • 2 min de leitura


Internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após passar por uma cirurgia de desobstrução intestinal, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi surpreendido nesta quarta-feira (23) com uma intimação judicial entregue por uma oficial de Justiça dentro do hospital. A diligência, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, refere-se ao processo em que Bolsonaro é acusado de suposta tentativa de golpe de Estado — um inquérito que, para muitos, tem claros contornos políticos.


A oficial esteve no Hospital DF Star, em Brasília, mais cedo no mesmo dia, em busca de Bolsonaro, para citá-lo formalmente e solicitar a apresentação de sua defesa prévia, bem como a lista de testemunhas. Mesmo em meio a um quadro de saúde delicado, o ex-presidente recebeu a servidora e questionou a legitimidade e o momento da intimação. “A senhora tem ciência que está dentro de uma sala de UTI do hospital?”, indagou, visivelmente inconformado com o que classificou como um abuso judicial.


A servidora, por sua vez, limitou-se a afirmar que estava apenas cumprindo uma ordem expedida pelo STF. Bolsonaro, em resposta, voltou a denunciar a perseguição jurídica de que vem sendo alvo, apontando que sua defesa sequer teve acesso completo aos autos do processo ou à polêmica minuta do suposto golpe.


“O ministro Alexandre de Moraes deu a missão para a senhora vir ao hospital e tomar a minha assinatura. É isso mesmo?”, questionou, chamando atenção para a falta de garantias mínimas no processo. Segundo a oficial, o mandado em questão foi emitido no dia 11 de abril — antes da internação —, o que reforça a dúvida sobre a urgência de executá-lo durante um momento de fragilidade do ex-presidente.


Na mesma semana, o STF também transformou em réus outros seis aliados de Bolsonaro, incluindo Filipe Martins, ex-assessor especial da Presidência, acusado de ter elaborado a minuta e levado o documento a membros das Forças Armadas em dezembro de 2022. A Procuradoria-Geral da República (PGR), que tem adotado linha dura contra opositores do atual governo, sustenta que os investigados participavam de um plano golpista — embora a defesa dos envolvidos conteste veementemente essas alegações.


Durante o diálogo com a servidora, Bolsonaro chegou a se exaltar, sendo advertido por um enfermeiro sobre a elevação de sua pressão arterial. Mesmo assim, não deixou de criticar duramente o que vê como um julgamento já sentenciado: “O objetivo de Alexandre de Moraes é claro: me condenar e me prender”, afirmou. Em seguida, pediu desculpas à servidora. “A senhora não tem culpa de nada, me desculpe se estou exaltado.”


O episódio reacende o debate sobre os limites da atuação do Judiciário e a escalada da politização das instituições no Brasil.

 
 
 

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