Agro em colapso: tarifaço dos EUA faz Brasil perder milhões com produção de frutas apodrecendo
- Redação
- 28 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 29 de jul. de 2025

Na região do Sealba — que engloba Sergipe, Alagoas e Bahia — toneladas de laranja estão apodrecendo por falta de escoamento. Vídeos chocantes que circulam pelas redes sociais mostram caminhões lotados da fruta parados em Rio Real (BA), maior polo produtor do estado, com a carga sendo descartada por falta de compradores.
O cenário piorou após os Estados Unidos imporem uma tarifa de 50% sobre o suco de laranja brasileiro. E a resposta do governo federal? Nenhuma. Silêncio total enquanto o setor sangra.
A medida coloca em risco uma das principais atividades econômicas de várias regiões produtoras — inclusive em Formoso (MG), onde agricultores já consideram abandonar a colheita diante da falta de mercado.
“Pode acabar ficando fruta no pé. Você não vai gastar para colher se não tem para quem vender”, desabafa o produtor Fabrício Vidal, que teme perder toda a produção deste ano.
Os EUA respondem por 42% das exportações brasileiras de suco de laranja — o equivalente a um mercado de aproximadamente US$ 1,31 bilhão (R$ 7,23 bilhões), segundo dados da safra encerrada em junho. Com as novas tarifas, o produto brasileiro corre sério risco de se tornar inviável no mercado americano.
De acordo com o Cepea/USP, o preço da caixa de laranja despencou para R$ 44 neste mês — quase metade do valor registrado no mesmo período do ano passado.
“Cada dia que se aproxima da vigência da tarifa aumenta a ansiedade do setor”, alerta Ibiapaba Netto, presidente da CitrusBR.
Dificuldade para encontrar novos mercados
Substituir os Estados Unidos como destino principal não é tarefa simples. O suco de laranja brasileiro é exportado para cerca de 40 países — bem menos do que a carne bovina, por exemplo. Além disso, apenas países com alta renda costumam importar a bebida, o que limita as alternativas de escoamento.
Na Ásia, tarifas elevadas de países como Índia e Coreia do Sul e a baixa renda per capita da China dificultam qualquer avanço. A União Europeia já absorve 52% das exportações — ou seja, não há espaço de crescimento ali.
Enquanto isso, o campo amarga prejuízos e abandono.
“O preço que estamos recebendo hoje é um terço do valor pago no ano passado”, afirma Ederson Kogler, agricultor de Formoso. “A única saída seria abrir novos mercados — mas isso leva tempo, e o produtor não pode esperar.”
As indústrias de suco recuaram nos pedidos, pressionadas pela nova barreira tarifária americana, e agora o produtor rural — que investiu, colheu e acreditou no país — está literalmente jogando a produção fora.
Enquanto o agronegócio, que sustenta a economia nacional, enfrenta filas, perdas e fábricas operando pela metade, o governo Lula segue mais preocupado com narrativas ideológicas, politicagem internacional e viagens do que com quem realmente põe comida na mesa dos brasileiros.






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