Agora até os médicos de Bolsonaro são proibidos de falar pelo Estado
- Editor
- há 6 dias
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Sigilo absoluto imposto pelo sistema prisional transforma atendimento médico em instrumento de censura e reforça denúncias de perseguição política

O comando do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, responsável pelo controle da chamada “Papudinha”, impôs mais uma camada de restrição autoritária ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente detido em condições que já despertam questionamentos jurídicos e humanitários. Em decisão revelada por veículos como Metrópoles e Gazeta do Povo, profissionais de saúde escalados para atendê-lo passaram a ser obrigados a assinar um termo de responsabilidade, confidencialidade e sigilo absoluto sobre qualquer informação relacionada ao atendimento médico.
Na prática, a medida transforma o exercício da medicina em um ato de submissão ao aparato estatal. Médicos e profissionais de saúde — inclusive aqueles responsáveis por cuidados essenciais diante do quadro de saúde fragilizado do ex-presidente — são submetidos a regras que extrapolam o razoável, violando princípios básicos da ética médica, da autonomia profissional e da própria relação médico-paciente.
Além do sigilo imposto, os profissionais enfrentam revista corporal rigorosa, proibição de portar objetos pessoais e um ambiente de vigilância permanente. O recado é claro: qualquer informação que escape ao controle oficial será tratada como ameaça. Em vez de garantir transparência e assegurar o direito constitucional à saúde de um detento — ainda que se trate de um ex-chefe de Estado —, o sistema opta por blindar dados sensíveis que poderiam revelar abusos, negligências ou irregularidades no cárcere.
A justificativa de “segurança” não se sustenta. O que se vê é a tentativa de silenciar testemunhas técnicas e impedir que a sociedade tenha acesso a informações legítimas sobre as condições de custódia. Trata-se de uma estratégia que não protege a ordem pública, mas resguarda o próprio Estado de eventuais responsabilizações.
Esse novo episódio aprofunda a percepção de que Bolsonaro não é tratado como um preso comum, mas como um alvo político. O cerco se fecha não apenas sobre ele, mas sobre qualquer profissional que se aproxime, criando um ambiente de intimidação incompatível com o Estado Democrático de Direito.
Mais do que uma medida administrativa, a imposição do sigilo absoluto aos médicos representa mais um capítulo preocupante na escalada de autoritarismo que marca o Brasil atual — onde direitos individuais cedem espaço ao controle, e a liberdade dá lugar ao medo institucionalizado.






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