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Lula tenta reconquistar jovens após perda de apoio e avanço da direita

  • há 2 horas
  • 2 min de leitura

Com 72% de desaprovação entre jovens, governo tenta reagir enquanto direita ganha espaço entre a Geração Z



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já admite nos bastidores do Palácio do Planalto aquilo que os números vêm escancarando: o eleitor jovem está se afastando do governo — e, em muitos casos, migrando para posições mais alinhadas à direita.


Uma pesquisa da AtlasIntel revela um dado alarmante para o governo: 72% dos jovens entre 16 e 24 anos desaprovam Lula, o maior índice negativo nessa faixa desde o início do terceiro mandato. O número é significativamente superior à média geral de desaprovação, que gira em torno de 53,5%.


Mais do que rejeição, o levantamento mostra um sentimento de preocupação política: 48% dos jovens afirmam temer mais a reeleição de Lula do que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, enquanto apenas 25% pensam o contrário. O dado não é isolado — aparece também em pesquisas de institutos como Ipsos e Quaest, indicando uma tendência consistente, e não um ruído estatístico.


Diagnóstico tardio e tentativa de reação


Diante desse cenário, o governo passou a estudar medidas voltadas à juventude, com foco em empregabilidade, crédito e inclusão produtiva. A movimentação, no entanto, chega após um diagnóstico tardio: políticas já implementadas não conseguiram gerar identificação real com os jovens.

Internamente, o reconhecimento é de que falta perspectiva concreta de futuro — especialmente no acesso ao mercado de trabalho e geração de renda.


O que a mídia ignora sobre a Geração Z


Um dos pontos mais ignorados por analistas tradicionais é que a Geração Z não necessariamente se tornou conservadora nos costumes, mas sim mais pragmática na economia.


Enquanto o PT insiste em um modelo centrado na CLT e na estabilidade do emprego formal, a realidade aponta para outro caminho: cerca de 20% dos novos MEIs no Brasil já são abertos por jovens.


A lógica mudou. Essa nova geração não quer necessariamente carteira assinada — quer autonomia, flexibilidade e renda própria. Quer CNPJ.

Para quem busca independência financeira através de plataformas digitais, como TikTok ou aplicativos de entrega, o discurso tradicional de “precarização do trabalho” soa menos como proteção e mais como limitação de liberdade.


Promessas repetidas, resultados limitados


Mesmo com programas como Pé-de-Meia, ProUni e iniciativas voltadas à educação e renda, o governo não conseguiu converter essas políticas em capital político junto aos jovens.


A nova aposta (parcerias com empresas, estímulo a estágios e crédito subsidiado) repete estratégias já testadas anteriormente, sem enfrentar questões estruturais como burocracia, carga tributária e dificuldade de empreender.


Mudança cultural e política


O fenômeno vai além da economia. Há uma mudança cultural em curso.


O analista político Lucas de Aragão resume o momento: “A rebeldia mudou de lado. Ser de direita virou forma de transgressão.”


Em 2022, muitos jovens votaram em Lula como forma de rejeição ao governo anterior. Em 2026, esse ativo político parece ter se esgotado.


A nova geração demonstra ser menos ideológica e mais orientada por resultados concretos — especialmente renda, liberdade econômica e autonomia profissional.


Para o governo, o recado é claro: não basta discurso. Sem mudança real na forma de enxergar trabalho e economia, reconquistar o jovem brasileiro será uma tarefa cada vez mais difícil.

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