Lula come carne exótica de animal silvestre sob restrições do Ibama
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Consumo de paca, carne nobre, de alto custo e cercada por regras ambientais, levanta questionamentos sobre fiscalização do Ibama, privilégio e diferença de tratamento em relação a Jair Bolsonaro

Um vídeo divulgado pela primeira-dama Rosângela da Silva (Janja) mostrou o preparo do almoço de Páscoa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tendo como prato principal a carne de paca — animal silvestre cuja exploração é cercada por regras ambientais no Brasil.
Nas imagens, Janja relata que a carne ficou dois dias no tempero, enquanto Lula aparece ao final elogiando o prato, afirmando que “duvida que alguém já tenha comido uma paca tão gostosa” .
A publicação rapidamente repercutiu nas redes sociais, não apenas pelo caráter incomum do alimento, mas também por envolver um animal protegido pela legislação ambiental brasileira. A chamada Lei de Proteção à Fauna proíbe, como regra, a caça e o consumo de animais silvestres, salvo exceções quando oriundos de criadouros autorizados pelo Ibama .
Diante da repercussão, a própria primeira-dama afirmou que a carne teria sido um presente de um produtor legalizado, o que, em tese, se enquadraria nas exceções previstas em lei .
Carne de alto valor e distante da realidade da população
Outro ponto que chamou atenção foi o custo elevado da carne de paca. Considerada uma iguaria exótica, seu preço costuma variar entre R$120 e R$180 por quilo, podendo chegar a cerca de R$300/kg, dependendo da região e da oferta .
Ou seja, trata-se de um produto de alto valor, distante da mesa da maioria dos brasileiros — especialmente em um cenário econômico em que o próprio governo costuma enfatizar dificuldades no acesso a alimentos básicos.
Comparação inevitável com Bolsonaro levanta críticas
O episódio também reacendeu críticas de setores da oposição quanto ao tratamento dado a figuras políticas em situações envolvendo questões ambientais.
Durante o governo de Jair Bolsonaro, houve forte repercussão e investigação envolvendo uma suposta “importunação de baleia”, caso amplamente explorado por adversários e parte da imprensa.
Agora, diante do consumo de um animal silvestre — ainda que alegadamente legal —, críticos questionam se haverá o mesmo rigor institucional e midiático.
Do discurso ambiental à prática: haverá consequências?
O caso levanta um debate político inevitável:
até que ponto o discurso ambiental é aplicado de forma igualitária?
Se, por um lado, a legislação permite o consumo quando há origem legal, por outro, permanece a discussão sobre coerência política, simbolismo e seletividade na cobrança pública.
A pergunta que fica é direta:
haverá investigação ou cobrança institucional, ou o tratamento depende de quem ocupa o poder?






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