top of page

Geddel, ex-ministro de Lula, é acusado de favorecer fuga de integrantes do CV em esquema milionário

20 de abr.
2 min de leitura

Depoimento liga nome do ex-ministro a negociação com facção criminosa, em meio a investigações sobre fuga em presídio na Bahia



O ex-ministro dos governos petistas, Geddel Vieira Lima, voltou ao centro de mais uma grave controvérsia após ser citado em delação premiada que investiga a fuga de detentos ligados ao crime organizado no interior da Bahia.


Segundo depoimento prestado ao Ministério Público da Bahia, a ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis afirmou que o nome do ex-ministro teria sido mencionado em negociações envolvendo a fuga de presos ocorrida em dezembro de 2024. O relato indica a existência de um suposto acordo que previa o pagamento de até R$ 2 milhões para viabilizar a operação — sendo cerca de R$ 1 milhão, segundo a delação, destinado a Geddel.


As tratativas, ainda conforme o depoimento, teriam sido conduzidas pelo ex-deputado federal Uldurico Júnior, apontado como intermediador entre agentes públicos e integrantes de facções criminosas. Entre os beneficiados pela fuga estariam detentos ligados ao Comando Vermelho, uma das principais organizações criminosas do país.


Apesar da gravidade das acusações, não há, até o momento, decisão judicial que comprove a participação direta do ex-ministro no suposto esquema. As investigações seguem em curso e devem aprofundar a apuração sobre o eventual envolvimento de agentes políticos e a possível infiltração do crime organizado em estruturas estatais.


Em resposta, Geddel negou qualquer envolvimento e classificou as acusações como infundadas, alegando que seu nome estaria sendo utilizado de forma indevida.


Histórico de condenações reforça questionamentos


O novo episódio reacende o debate sobre o histórico judicial do ex-ministro. Em 2019, Geddel foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 14 anos e 10 meses de prisão por crimes de lavagem de dinheiro, após a Polícia Federal encontrar cerca de R$ 51 milhões em dinheiro vivo em um apartamento ligado a ele, em Salvador — a maior apreensão de dinheiro em espécie da história do país.


A condenação também incluiu multa milionária e a manutenção da prisão, posteriormente convertida em regimes mais brandos ao longo do cumprimento da pena.


Embora parte das acusações, como associação criminosa, tenha sido posteriormente anulada pelo próprio STF, a condenação por lavagem de dinheiro foi mantida, consolidando o caso como um dos episódios mais emblemáticos de corrupção recente no país.


Além disso, o ex-ministro já havia sido alvo de outras investigações, incluindo suspeitas de obstrução de Justiça e atuação em esquemas envolvendo liberação irregular de créditos na Caixa Econômica Federal, no âmbito da Operação Cui Bono.


Diante desse histórico, o surgimento de novas acusações, ainda que não comprovadas, levanta questionamentos inevitáveis sobre a recorrência de denúncias envolvendo figuras políticas de alto escalão e sua possível conexão com estruturas criminosas.


O caso segue sob investigação, e caberá às autoridades esclarecer se as acusações recentes representam mais um capítulo de um padrão já conhecido ou se não passam de declarações sem lastro probatório. Enquanto isso, permanece o alerta sobre a necessidade de rigor institucional diante de indícios que envolvem segurança pública, corrupção e crime organizado.

Comentários


bottom of page