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Escola que exaltou Lula na Sapucaí amarga rebaixamento no Carnaval do Rio

18 de fev.
2 min de leitura

Enredo centrado em Lula não convence jurados e termina com queda da agremiação na estreia no Grupo Especial. Um verdadeiro tiro no pé



A Acadêmicos de Niterói, que transformou seu desfile em uma homenagem direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi rebaixada do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro após terminar a apuração na última colocação. A escola havia estreado na elite do samba neste ano, mas a aposta em um enredo explicitamente político terminou em resultado negativo na Marquês de Sapucaí.


O desfile apresentou a trajetória do petista como narrativa central, com alegorias, fantasias e referências simbólicas que buscavam enaltecer sua figura política. A escolha foi vista por críticos como mais um exemplo da crescente tentativa de transformar manifestações culturais em instrumentos de propaganda ideológica.


Antes mesmo de entrar na avenida, o enredo já gerava forte reação. Setores da sociedade questionaram a utilização do Carnaval — tradicionalmente associado à cultura popular, à história nacional e ao espetáculo artístico — como palco de exaltação a um líder político em exercício. Para opositores do governo, o episódio evidencia a tentativa de normalizar a presença do discurso partidário em espaços financiados direta ou indiretamente com recursos públicos.


Na Sapucaí, a recepção refletiu essa divisão. Parte do público simpatizante celebrou o desfile, enquanto outra parcela demonstrou resistência ao tom político. O resultado técnico acabou confirmando que a proposta não convenceu os jurados: a escola não se destacou em quesitos decisivos e terminou na última posição.


A queda imediata após a ascensão ao Grupo Especial reforça, para analistas, que o Carnaval pode perder força como expressão cultural quando se distancia do espetáculo e se aproxima da militância. O episódio reacende um debate mais amplo sobre os limites entre arte, cultura e instrumentalização política.


Com o rebaixamento, a Acadêmicos de Niterói retorna à Série Ouro no próximo ano, enquanto o desfecho do desfile entra para a lista de episódios que mostram como a politização de eventos populares pode ter custo alto — tanto artístico quanto institucional.


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