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Crianças Yanomami morrem de coqueluche porque Lula não comprou vacina

24 de fev.
2 min de leitura

A morte de crianças por coqueluche na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, escancara mais uma vez o abismo entre o discurso oficial de Brasília e a realidade enfrentada nas áreas mais vulneráveis do país. Segundo dados do Ministério da Saúde e do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami, além das mortes, há pelo menos oito casos confirmados da doença entre crianças.


A coqueluche — também chamada de tosse convulsa — é uma doença conhecida, antiga e, sobretudo, prevenível por vacina. Está no calendário oficial do SUS. Ou seja: não se trata de um vírus desconhecido ou de uma emergência imprevisível. Trata-se de uma falha básica de cobertura vacinal e de assistência contínua.


O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem feito da pauta indígena uma vitrine política. Não faltam fotos, discursos e simbolismos — inclusive com o personagem Zé Gotinha — reforçando a defesa da vacinação e da proteção aos povos originários. O problema é que, fora das câmeras, a realidade parece outra.


Se a vacina está prevista no calendário nacional, por que crianças indígenas ficaram desprotegidas? Houve atraso na aquisição e distribuição de doses? Falhou a logística? Faltou prioridade? São perguntas que não podem ser respondidas apenas com anúncios de envio emergencial de equipes depois que a tragédia já ocorreu.


O governo afirma ter intensificado a vacinação e reforçado a vigilância epidemiológica na região. Mas a pergunta central permanece: por que a resposta veio apenas após mortes? Gestão pública não pode funcionar no modo reativo quando se trata de doenças imunopreveníveis.


A situação evidencia um problema mais profundo. A crise sanitária na região Yanomami é recorrente: malária, desnutrição, doenças respiratórias e falta de estrutura básica de saúde. O atual governo assumiu prometendo reconstrução e prioridade social. No entanto, episódios como este colocam em xeque a efetividade dessa promessa.


Enquanto isso, o país assiste a gastos elevados em eventos, campanhas institucionais e festividades financiadas com recursos públicos. A crítica que emerge é simples: se há verba para patrocínios milionários, por que falta organização para garantir vacina a crianças em área vulnerável?


Não se trata de negar que a crise indígena seja histórica. Mas quem está no poder hoje é responsável pelas decisões de hoje. Quando uma doença evitável volta a matar, o problema não é apenas sanitário — é de gestão, prioridade e responsabilidade política.


A tragédia na Terra Yanomami não pode virar apenas mais um capítulo de narrativa. Crianças morreram. E isso exige mais do que discurso.

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