Sapucaí vira palanque pró-Lula enquanto Bolsonaro é alvo de zombaria
- 16 de fev.
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A utilização de espetáculo cultural para promover liderança política e atacar adversário reacende o debate sobre propaganda antecipada e possível violação da legislação eleitoral.

No que deveria ser uma celebração cultural neutra, o Carnaval do Rio de Janeiro virou mais um palco de militância política e propaganda antecipada em ano eleitoral. A escola de samba Acadêmicos de Niterói, que estreou no Grupo Especial da Marquês de Sapucaí, dedicou seu desfile inteiro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, transformando a folia em campanha eleitoral travestida de cultura popular.
Com o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a escola não apenas narrou a trajetória pessoal do petista, mas fez uso explícito de símbolos ligados ao Partido dos Trabalhadores e à sua campanha — incluindo gritos de guerra (“Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”) e referências diretas ao número 13, ligado ao PT.
A festa, longe de ser apenas cultural, virou um escárnio com a oposição: uma das alegorias retratou o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, representado como um palhaço com tornozeleira eletrônica, em alusão à sua perseguição jurídica e tentativas de cerceamento político. Essa cena explícita na avenida não passa de mais um ataque político à figura de Bolsonaro, transformando o Carnaval num espetáculo de militância ideológica.
Uso político de dinheiro público
A controvérsia vai além da estética. Neste ano, o Governo Federal destinou cerca de R$ 12 milhões em verbas públicas para escolas do grupo especial — incluindo aproximadamente R$ 1 milhão à Acadêmicos de Niterói, segundo relatos ligados ao caso. Para críticos de direita, esse repasse configurou uso indevido de recursos do contribuinte para financiar propaganda eleitoral velada às vésperas das eleições presidenciais de 2026.
Parlamentares conservadores, como o deputado Marcel Van Hattem, chegaram a qualificar o episódio como “um escárnio” e uma tentativa explícita de fazer campanha antecipada com dinheiro público, chegando a levar o caso ao Tribunal de Contas da União (TCU).
Apesar das ações populares e recursos apresentados por opositores para barrar a politicização do desfile, a Justiça se negou a impedir a apresentação — decisão que para críticos representa mais um sinal de tolerância institucional com o uso político de eventos culturais em ano eleitoral.
Lula no centro do espetáculo
O próprio presidente Lula assistiu ao desfile da Sapucaí, chegando a descer do camarote da prefeitura do Rio para acompanhar de perto a passagem da escola que o homenageia, cercado por aliados e imprensa. Enquanto isso, obras de arte carnavalescas foram usadas para reforçar uma narrativa política que mistura cultura, campanha e promoção pessoal às custas do dinheiro de todos os brasileiros.
O episódio escancara como o Carnaval foi transformado em mais um palanque de propaganda do petismo, com apoio explícito de verbas públicas, ataques a adversários e tentativa de moldar narrativas eleitorais com o uso de símbolos culturais nacionais.






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