RECOMPENSA PELO SERVIÇO? Delegado que perseguiu e indiciou Bolsonaro ganha cargo no gabinete de Moraes
- 10 de mar.
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Movimentação de delegado que liderou ofensiva contra Bolsonaro para o STF sela o 'consórcio' entre investigador e julgador.

O que muitos já denunciavam como uma "parceria ensaiada" entre setores da Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo e polêmico capítulo. O delegado Fábio Shor, conhecido por conduzir as investigações que resultaram no polêmico indiciamento e na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi oficialmente "premiado" com um cargo de assessor direto no gabinete do ministro Alexandre de Moraes.
A nomeação, assinada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, e publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (10), confirma a proximidade entre o investigador e o julgador, alimentando críticas sobre a falta de isenção e o caráter político das ações movidas contra o líder conservador.
Do Inquérito ao Gabinete
Shor foi o braço direito de Moraes nas investidas contra Bolsonaro, comandando inquéritos que a direita classifica como "excessos judiciais" e "perseguição implacável". Sob sua batuta, foram produzidos os relatórios que basearam a condenação de 27 anos de prisão imposta ao ex-presidente em setembro passado — uma sentença vista por juristas conservadores como uma tentativa de banir permanentemente a maior voz de oposição do país da cena política.
Agora, o delegado deixará as ruas para atuar nos bastidores do STF. No novo posto, ele terá a missão de auxiliar Moraes na análise de processos criminais e na elaboração de relatórios, consolidando o que críticos chamam de "tribunal de exceção", onde quem investiga, acusa e julga parecem pertencer ao mesmo círculo de interesses.
O histórico de Shor
Além de ter pressionado o tenente-coronel Mauro Cid a fechar uma delação premiada — que a defesa de Bolsonaro aponta como fruto de coerção e narrativa dirigida —, Shor também esteve à frente do controverso caso da "Abin Paralela".
Para parlamentares da ala bolsonarista, a ida do delegado para o gabinete de Moraes não é apenas uma movimentação administrativa, mas a prova cabal de que o sistema está se fechando para proteger aqueles que ajudaram a pavimentar o caminho para a condenação do ex-presidente. "É a oficialização do 'consórcio' contra a direita brasileira", resumiu um aliado próximo de Bolsonaro.
Com a mudança, Shor passa a desfrutar do prestígio da Suprema Corte, enquanto o país assiste, atônito, à promiscuidade entre as forças policiais e o Judiciário em processos que mudarão os rumos da democracia brasileira.







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