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Escritório da família de Moraes recebeu 645 vezes mais que concorrentes por serviço idêntico no Banco Master

  • 28 de mar.
  • 2 min de leitura

Oposição exige explicações sobre pagamentos astronômicos que transformaram a revisão de um código de conduta em um negócio de R$ 129 milhões.



Enquanto o cidadão comum luta contra a burocracia e a carga tributária, o "ecossistema" do poder em Brasília parece operar sob uma tabela de preços própria — e astronómica. Uma investigação revela que o escritório Barci de Moraes Advogados, pertencente a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, faturou valores que desafiam a lógica de mercado.


Documentos analisados mostram que, para realizar serviços de revisão de compliance para o Banco Master, o escritório da família Moraes recebeu pagamentos que chegam a ser 645 vezes superiores aos praticados por outros advogados que realizaram tarefas rigorosamente iguais para a mesma instituição pouco tempo antes.


O "Compliance de Ouro"


De acordo com os registos, um prestador de serviço anterior recebeu cerca de R$ 200 mil para estruturar políticas de governança e controlo do banco em 2022. Dois anos depois, o escritório da esposa do ministro foi contratado por um montante global de R$ 129 milhões (cerca de R$ 3,6 milhões mensais).


Especialistas e parlamentares da oposição questionam: o que justifica um ágio de tamanha magnitude? O serviço prestado por Viviane Barci de Moraes — que envolveu a edição de um código de ética e reuniões de consultoria — é visto por muitos como uma "blindagem institucional" disfarçada de assessoria jurídica.


O caso ganha contornos ainda mais graves devido à situação do Banco Master, que foi alvo da Operação Compliance Zero e acabou liquidado pelo Banco Central sob suspeitas de fraudes bilionárias.

Para a ala conservadora do Congresso, o contrato milionário é o exemplo perfeito do "mecanismo" que une grandes interesses financeiros à cúpula do Judiciário. O senador Alessandro Vieira e outros parlamentares já articulam uma CPIpara investigar as condutas de ministros cujos familiares mantêm relações comerciais vultosas com entidades sob investigação.


Enquanto o escritório Barci de Moraes alega que o valor se justifica pela complexidade do cliente e pelo número de advogados envolvidos, o mercado jurídico observa com ceticismo. No mundo real, onde a concorrência impera, nenhum serviço de "revisão de políticas" justifica um pagamento de R$ 129 milhões, a menos que o que esteja a ser vendido não seja apenas técnica jurídica, mas o prestígio do sobrenome.


A sociedade brasileira, que assiste a um STF cada vez mais interventor, exige agora respostas: até quando a "ética" será apenas um capítulo nos manuais de compliance pagos a preço de ouro?




 
 
 

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