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CRISE: Correios podem deixar de atender todos os municípios

  • 11 de fev.
  • 2 min de leitura

Após registrar lucros bilionários na gestão Bolsonaro, estatal mergulha em prejuízos sob Lula e agora ameaça abandonar milhares de cidades brasileiras.



O serviço postal brasileiro, Correios, está próximo de sofrer o golpe final da gestão Lula, com risco concreto de deixar de atender todos os municípios do país, uma política que era considerada um pilar da universalização de serviços públicos e garantia de presença estatal em todos os cantos do Brasil.


Fontes governamentais admitiram nos últimos dias que a estatal pode interromper a cobertura completa do território nacional, abrindo mão de sua missão constitucional de atender os 5.567 municípios brasileiros — um legado social construído ao longo de décadas e que corre o risco de ser desmontado.


Críticos apontam que isso não é apenas resultado de uma “crise contábil”, mas a culminação de escolhas políticas do atual governo, que vem tratando a empresa pública como um peso a ser cortado em vez de um ativo estratégico — exatamente ao contrário do que se viu nos governos anteriores de Jair Bolsonaro.


O que os dados financeiros dizem


Durante o período Bolsonaro (2019-2022), os Correios foram capazes de fechar vários anos com resultados positivos, especialmente em meio à maior demanda do mercado e esforços para modernização da empresa.• Em 2021, os Correios registraram um lucro histórico de R$ 3,7 bilhões, o maior resultado em décadas — um reflexo de iniciativas de reorganização e eficiência adotadas naquele período, com investimentos em operação e governança. • Relatórios setoriais indicam que a empresa, apesar de enfrentar desafios, vinha conseguindo operar no azul em parte dos anos da gestão Bolsonaro, com desempenho econômico-financeiro positivo por vários trimestres consecutivos.


Esses números demonstram que, com ajustes de gestão e foco em eficiência, a estatal foi capaz de atravessar períodos adversos e gerar resultados que sustentavam sua relevância como serviço público.


O que mudou sob Lula


Desde a troca de governo, entretanto, o desempenho financeiro dos Correios despencou e se transformou em um problema que, nas mãos de aliados do governo, virou argumento para restrições ainda maiores ao serviço.• Em 2024 e 2025, a estatal acumula prejuízos bilionários que alcançam cifras históricas.


Relatórios contábeis mostram déficits que chegam a R$ 2,6 bilhões em 2024 e ampliam-se em 2025, com a necessidade de recorrer a empréstimos bilionários para manter operações básicas. • A direção da empresa considera que manter a cobrança da universalização sob as regras atuais é “insustentável” — justamente quando a presença estatal e investimento público poderiam ser fortalecidos para revitalizar o serviço.


Estratégias equivocadas


Críticos apontam ainda que parte da deterioração se deve a decisões regulatórias e fiscais adotadas desde 2023, que abriram segmentos importantes — como remessas internacionais — a concorrentes privados, reduzindo receitas que antes ajudavam a equilibrar as contas da estatal.


A pulverização do mercado de entregas, combinada com cortes de benefícios e falta de estratégias claras de recuperação econômica, agravou o quadro sob o governo atual — transformando um ativo público historicamente sustentável em um “problema” a ser descartado.

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