China impõe tarifa de 55% sobre carne brasileira
- 17 de jul.
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Oposição questiona silêncio do governo Lula sobre Lei da Reciprocidade.
Selo Editorial: Redação Jornal 01 | Por Thiago Oliveira

A decisão da China de aplicar uma sobretaxa de 55% sobre as exportações brasileiras de carne bovina que ultrapassarem a cota anual estabelecida por Pequim voltou a colocar a política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva no centro do debate político. Em vigor desde 1º de janeiro de 2026, a medida já provoca impactos na cadeia produtiva, com frigoríficos reduzindo o ritmo de produção, concedendo férias coletivas e buscando mercados alternativos para escoar a carne brasileira.
O governo brasileiro informou, no fim de 2025, que buscaria diálogo com as autoridades chinesas e atuação em fóruns internacionais para mitigar os efeitos da salvaguarda comercial, sem anunciar medidas de retaliação.
A reação tem sido comparada por parlamentares da oposição à postura adotada pelo Palácio do Planalto diante das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos durante o governo Donald Trump. Na ocasião, o Executivo defendeu publicamente a utilização da Lei da Reciprocidade Comercial, aprovada em 2025, como instrumento para responder a barreiras consideradas prejudiciais aos interesses brasileiros.
Agora, críticos do governo questionam por que a mesma estratégia não foi anunciada em relação à China, principal destino das exportações brasileiras de carne bovina.
Impacto econômico preocupa o setor
A China responde por cerca de metade das exportações brasileiras de carne bovina e a nova política comercial estabelece uma cota anual de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas. Todo o volume exportado acima desse limite passa a sofrer incidência da sobretaxa de 55%, tornando muitos embarques economicamente inviáveis.
Com a cota praticamente preenchida ainda no primeiro semestre, frigoríficos passaram a desacelerar os abates, reorganizar a produção e buscar novos mercados. Representantes do setor afirmam, entretanto, que nenhum outro comprador possui capacidade para absorver, no curto prazo, o volume atualmente destinado ao mercado chinês.
Lei da Reciprocidade entra no debate
A diferença de postura do governo alimentou críticas de lideranças da oposição, que defendem uma resposta mais firme diante das barreiras comerciais impostas pela China. Até o momento, o Executivo não anunciou a utilização da Lei da Reciprocidade Comercial contra o país asiático, optando por negociações diplomáticas e pelo acompanhamento do caso em conjunto com o setor produtivo.
Especialistas lembram, contudo, que a medida chinesa foi adotada como uma salvaguarda comercial, mecanismo previsto pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) para proteger setores produtivos nacionais diante do aumento das importações. Esse tipo de instrumento possui natureza jurídica distinta de tarifas unilaterais adotadas por outros países, embora seus efeitos econômicos possam ser semelhantes para os exportadores brasileiros.
O debate político
Para setores ligados ao agronegócio e à oposição, o episódio levanta dúvidas sobre a coerência da política comercial brasileira e sobre a disposição do governo em utilizar instrumentos legais aprovados pelo próprio Congresso quando o parceiro comercial é a China.
Já integrantes do governo sustentam que a manutenção do diálogo diplomático é a melhor estratégia para preservar a relação com o principal parceiro comercial do Brasil e reduzir os impactos sobre a cadeia produtiva.
Enquanto o debate político se intensifica em Brasília, produtores rurais, frigoríficos e trabalhadores do setor aguardam uma solução que minimize os efeitos da nova política tarifária chinesa sobre um dos segmentos mais importantes do agronegócio nacional.






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