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Missão de navio da China no Rio gera alerta nas Forças Armadas

  • Redação
  • 17 de jan.
  • 2 min de leitura

Visita ocorreu sem explicações detalhadas e ampliou a cautela diplomática em meio à disputa global


O navio-hospital chinês Ark Silk Road deixou o porto do Rio de Janeiro nesta última quinta-feira (15), encerrando uma estadia que começou em 8 de janeiro e que, segundo militares brasileiros, levantou mais dúvidas do que respostas. A presença da embarcação atraiu a atenção das Forças Armadas por reunir equipamentos capazes de mapear portos e coletar informações estratégicas sobre o litoral.


Oficiais afirmam que a delegação chinesa não forneceu detalhes claros sobre os objetivos da missão, gerando desconforto tanto na Marinha quanto no Itamaraty. A ausência de transparência foi especialmente notada em um contexto regional marcado pelo aumento da presença militar dos Estados Unidos no Caribe e por um ambiente de instabilidade na América Latina, o que intensificou a cautela das autoridades brasileiras.


Navio chinês com equipamentos de monitoramento


O pedido formal para a atracação foi encaminhado ao Brasil por meio de nota diplomática em 15 de setembro de 2025, solicitando autorização para que a embarcação permanecesse entre 8 e 15 de janeiro — sem mencionar oficialmente a “Missão Harmony 2025”, operação humanitária internacional da China. Registros da Lei de Acesso à Informação mostram que a nota foi enviada à Marinha sem qualquer referência a atividades médicas.


Militares brasileiros observam que o Ark Silk Road apresenta uma série de sensores, antenas e radares incomuns em navios-hospital convencionais, levando alguns oficiais a crerem que a missão possa ter função de reconhecimento e coleta de dados portuários. Embora outras nações também realizem operações semelhantes, essas costumam ocorrer dentro de acordos bilaterais — algo que não existe entre Brasil e China para esse tipo de atividade.


A Missão Harmony 2025, que começou em setembro de 2025 com previsão de 220 dias de navegação e escalas em 12 países da Oceania, Caribe e América Latina, incluiu milhares de atendimentos médicos em vários portos, mas tanto México quanto Brasil estão fora da Iniciativa Cinturão e Rota, projeto estratégico chinês divulgado internacionalmente.


A passagem da embarcação chinesa pelo Rio de Janeiro coincidiu com a estadia do navio de pesquisa oceanográfica norte-americano Ronald H. Brown em Suape entre 14 e 21 de janeiro — o que reforça interpretações de competição estratégica entre Pequim e Washington no Atlântico Sul.

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